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A primeira coisa que faço depois de ligar o computador é ler emails e apagar “spams”. Hoje não fiz diferente. Mas, por acidente, li a primeira linha de um dos cem emails de divulgação que recebo por dia. Dizia:

“Na última semana deste mês de maio, estarei ministrando o curso (…)”.
Fiz cara feia e comentei — em voz alta mesmo, apesar de estar sozinha: Não gostaria de fazer um curso de português antes de ministrar qualquer outro?

Você consegue imaginar o porquê da minha careta?

 

“Estar fazendo”, “estar ministrando”, “estar transferindo”, etc e tal configuram assassinato de nossa rica gramática.
No português, temos dois tempos verbais para indicar futuro:
Futuro do presente
Futuro do pretérito

 

Eu ministrarei uma oficina de escrita criativa. ———> Futuro do presente, ou seja, minha ação ocorrerá no futuro. Sei que é futuro, porque posso comparar com o presente e dizer que a oficina ainda não ocorreu; eu ainda não a ministrei. Portanto, aqui temos uma ação no futuro, em relação ao que ocorre no presente.

Eu ministraria uma oficina de cálculo gerencial, no entanto, não me formei para isso. ———> Futuro do pretérito, ou seja, minha ação poderia ocorrer no futuro se, no passado, eu tivesse me preparado para isso. Portanto, aqui temos uma ação de futuro dependente de outra no pretérito (passado).

Gerúndio:
O sufixo -ndo adicionado ao verbo indica que a ação ocorre no momento em que é expressa. Observe:
Você está lendo este texto.

Ou seja, se você quer indicar uma ação contínua que ocorre concomitante a outra, ou no exato momento da fala/escrita, aí sim o gerúndio está liberado, e você deve conjugar o verbo ser e adicionar a ação principal com o sufixo -ndo. No entanto, se você quer indicar uma ação no futuro, use um dos dois tempos verbais de futuro.

Não raro, participo de reuniões em que alguém diz: “vamos estar resolvendo esse problema”. Nesses casos, o problema é bem maior que parece ser.

“Resolveremos esse problema” é melhor e muito mais eficiente.

Portanto, se você realmente quer que acreditem em você, seja firme em suas afirmativas. Vamos! Diga:
“Resolverei esse problema!”
“Falarei sobre isso com o responsável!”
“Discutiremos isso em nossa próxima reunião!”

Ouço alguém me perguntar:
“Mas e quando eu uso ‘vou’? Por exemplo, ‘vou à praia no carnaval’?”

Está correto. Nesse exemplo, encontramos o futuro do presente composto. Para formá-lo conjugamos o verbo “ir” (verbo auxiliar) e adicionamos a ação (verbo principal) no infinitivo. Posso muito bem dizer que “vou ministrar uma oficina de escrita criativa”.

* ministrarei 🙂
* vou ministrar 🙂
vou estar ministrando 😦

 

Aliás, a próxima oficina que ministrarei será no FESTTO 2014 (Festival de Teatro de Teofilo Otoni). Vamos?

Dica 1:
Prefira tempo verbal simples.

Dica 2:
Evite o gerúndio (-ndo), ele é droga tarja preta! Utilize-o somente quando estritamente necessário.

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Um comentário sobre “O futuro da língua portuguesa

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