Uma viagem à Aldeia do Silêncio

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Antes e depois d’Aldeia: o silêncio.

 

Não tentarei quebrá-lo, apenas alimentar-me-ei dos seis sentidos em sua transfiguração da realidade.

 

No sertão de Frei Betto, a música que toca embala as palavras em um “balé quântico” para “subverterem a lógica e enlouquecerem a razão”. Aldeia do silêncio é  livro que, como disse Madame A. “altera, para melhor, o seu estado normal de consciência e enleva o seu espírito.” É um texto que nos transporta para outra dimensão da realidade.

 

Com ele, levitei.

 

Depois dele, vi a realidade “com uma nitidez que meus olhos não alcançavam”.

 

No silêncio que essa Aldeia me provocou, ainda ouço ecoar palavras cheias de significados.

Silenciosas “palavras grávidas de sentidos”, mães de textos.

Mensagens que me sussurraram:

Cumplicidade.

Retumbância.

 

Agora sinto música no bater das asas de um pássaro, no latido de um cão, nas folhas das árvores.

Cheiro nos raios, na bola de fogo que toca o horizonte, as múltiplas tonalidades que dançam no crepúsculo.

No passar do tempo ouço a “intemporalidade de fluxos e refluxos interiores”.

O ritmo da vida, é o ritmo de cada um.

 

A natureza fala

no verde.

Ou na ausência dele.

E em sua comunicação mantém beleza, sabor, jamais rancor.

 

“A pedra fala, comunica o silêncio”,

“aridez do grito mudo da natureza”

que habita

em mim

habitam

sereias e netunos das águas

“a lamber a terra e espelhar o céu”

“espelho que não retém a verdadeira imagem”

a real

preenche o coração e constitui o espírito.

 

E enquanto escrever é desenhar em letras, sentimentos, pensamentos

ler é escutar os riscos, entender os sinais:

 

Os cheiros e seus significados

a imagem do âmago

o som a acariciar o espírito

o toque da gentileza

o sabor do que sou.

 

Ao sair d’Aldeia

em mim ela ficará

a realçar a beleza do trivial.

 

Carregarei

cada sentimento desenhado em suas folhas,

até que a palavra final do silêncio me abrace.

 

“Meu universo se limita à minha linguagem.”

 

Para Frei Betto

BETTO, Frei. "Aldeia do silêncio". Rio de Janeiro: Rocco, 2013.
BETTO, Frei. “Aldeia do silêncio”. Rio de Janeiro: Rocco, 2013.

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