Rose Madder

Pequena gota de sangue no lençol acorda Rose para a realidade.

O romance Rose Madder, de Stephen King inicia a trajetória da protagonista Rose MadderRose com chocante cena em que ela é espancada pelo marido aos quatro meses de gravidez. Encolhida no canto da sala sofre o aborto; Norman se preocupa em arrumar o cenário de forma a se livrar de ser acusado. Para justificar a perda da gravidez o marido comanda: Rose deve confirmar que caíra da escada.

Somente após quatorze anos de sofrimento ela se dá conta de que é hora de abandonar a casa onde vive horrores proporcionados pelo marido. Mordidas, queimaduras, abuso sexual: algumas das práticas de Norman. Longe daquele cenário, Rose descobre que o mundo pode ser bem mais agradável. Mas o monstro volta à cena.

Seguimos a narrativa na expectativa de ver Rose livre. Mas essa mulher aterrorizada conseguirá ser feliz em sua liberdade?

Surge Rose Madder: personagem do quadro antigo que Rose compra para seu novo apartamento. Parece loucura? É. O quadro é porta para outro mundo.

Se pensarmos que Madder é o comparativo do adjetivo mad (louco) em inglês, perceberemos que Rose Madder é versão “mais louca” da própria Rose – talvez um alter ego? Em contato com essa loucura, o problema da protagonista parece se resolver. No entanto, a Madder traz outra questão à tona, a fúria de Rose, e aconselha: “Não se esqueça da árvore”.

Rosie McClendon (nome de solteira de Rose) então descobre o porquê das sementes que ganhara em sua visita ao mundo de Madder. Além de aprender que “those who don’t learn from the past are condemned to repeat the bastard” (aqueles que não aprendem com o passado estão condenados a repetir o bastardo).

O desfecho é belo. Um pouco triste. Real.

Sentada diante da árvore (do bem, ou do mal?), Rosie canta para si:

“I’m Rosie… and I’m Rosie Real. You better believe me… I’m a great big deal.”

002Stephen King é mestre. Mestre do terror, da escrita e das descrições. Misto de  fantástico com realidade, seu texto nos leva ao mundo criado, envolve-nos e nos proporciona medo, terror e angústia. Em Rose Madder, o entretenimento proporcionado pela loucura da história também nos leva a pensar na questão da violência doméstica. Rose é personagem que nos mostra como somos donos (donas) de nossa vida. Ainda que sob a ameaça do terror, ela toma as rédeas e parte em direção a melhor destino. Rose, ao abandonar o marido e monstro Norman, descobre que nela há força maior que aquela que tomou sua filha e ameaçou sua vida.

No Brasil, o livro foi publicado pela editora Objetiva.

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