Quem nunca sonhou estar em queda livre, conversar com animais, ser condenado à morte, lutar bravamente contra monstros, correr atrás do tempo? Quem nunca teve sonhos recorrentes e o medo de estar enlouquecido quando na verdade tudo o que se passa são desejos?


Na febre do momento…

“Quem é Alice?” – pergunta a aluna intrigada .

“O que exatamente você procura saber?”

“Quem é essa tal de Alice? Por que cresce e diminui, encontra-se com um gato sorridente – nunca soube que gatos podem sorrir – uma lagarta viciada em ópio, um sujeito maluco de chapéu, uma rainha interessada em cortar cabeças. Quem é o coelho?”

“Vou tentar te contar essa história da forma mais simples que posso. Preste atenção e ao final diga-me você: Quem é Alice?”

Sua curiosidade não a deixa intimidar diante de desafios. Entra de cabeça no desconhecido. Ela cai. Cai. Cai… Infinitamente cai. No entanto, o infinito por vezes não é infinito, pode às vezes ter fim. Ou quem sabe ele nos leva ao início de tudo?

Cresce e diminui a menina que precisa sobreviver às loucuras do mundo “maravilhoso”. Doze vezes ela muda seu

Onde está o coelho? Encontre o tempo perdido…

tamanho: de criança a adulto, ainda não sabe quem realmente é. E para quem a vê, seu tamanho pode parecer um exagero.

O tempo é pequeno, quando ela é grande. Pequenino ele corre mais que o gigante.

Mas quem afinal é essa garota que não sabe se explicar por não ser ela mesma, por ser “de tantos tamanhos diferentes num dia [o que] é muito perturbador”.

Mas sem demora aparece criatura amigável e sempre sorridente. O sorriso, que pode enganar, esconde a loucura que pode apenas ser o sonho, ou o inconsciente que nos responde: “depende bastante de para onde quer ir”. E quando não sabemos para onde, então não importa o caminho que tomamos, o importante é chegarmos “a algum lugar”. Aliás, seja lá qual for o caminho, chegaremos lá. E, diga-se de passagem, “somos todos loucos aqui”.

E no meio do caminho havia o enigma: “Por que um corvo se parece com uma escrivaninha?”

Pausa para pensar ———————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————————-

Qual é a moral? “Tudo tem uma moral, é questão de saber encontrá-la”.

Um animal falso, uma quadrilha, aventuras inimagináveis, um julgamento e finalmente ela cresce. Alice cresce para derrubar, em efeito dominó, todas as cartas do baralho e finalmente descobrir que nem tudo tem moral. E descobrirá que nem todo enigma tem solução.

E afinal, quem somos essa Alice?

Se desejar inteirar-se das aventuras de Alice e conhecer melhor a história por trás dessa história, leia a edição comentada publicada pela Jorge Zahar Editor. Muita coisa se explica nas diversas notas de Martin Gardner e nas ilustrações originais por John Tenniel. Vale a pena conferir.

CARROL, Lewis. Alice: edição comentada. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2002.

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