Ponto Cego

Ponto cego é um escotoma, ou simplesmente: obstrução do campo visual. Isso ocorre porque em determinado lugar do campo de visão, faltam células fotorreceptoras na retina. Ora, se não há células para captar luz, não há imagem. E se não há imagem, o cérebro tenta preencher o vazio com informação capturada pelo outro olho. Por isso, quando dirigimos e não enxergamos no retrovisor lateral a motocicleta que tenta nos ultrapassar, dizemos que o veículo estava no ponto cego.

Todos os vertebrados possuem um campo cego na visão.

Todos os vertebrados podem ser enganados por aquilo que veem. Ou pensam que viram. Ou ainda, por tudo o que deixaram de ver.

E é por isso que, quando Daniel Sachs saiu em busca de sua ex-esposa pelos canais de Veneza e pensava que sabia para onde ia e o que encontraria, podemos dizer que ele foi enganado pelo campo visual sem células fotorreceptoras e que quando se virou para enxergar as imagens reais, ele se surpreendeu pela ilusão de ótica causada pela confiança naquilo que parecia ser, mas não era.

Quem é quem, afinal?

Felipe Colbert, em Ponto Cego, criou uma narrativa muito bem tecida, nada está solto, não há buracos nessa rede de suspense e mistério.

Felipe Colbert autografando “Ponto Cego”.

Daniel Sachs é o protagonista envolvido nessa teia de Colbert. Ele sai de São Paulo, onde trabalha em uma revista, para procurar Nilla, sua ex-esposa, fotógrafa da mesma revista e desaparecida em Veneza. Lá, ele descobre que outras mulheres também sumiram. Enquanto busca a mulher que ainda ama, Daniel descobre que a ausência dessas belas jovens está ligada à produção dos chamados filmes snuff, filmes que mostram assassinatos reais, sem efeitos especiais, pura crueldade em troca de dinheiro.

O repórter tem ajuda de um investigador e da recepcionista do hotel de onde Nilla desapareceu e onde ele se hospedou.

Mas não é simples assim. Nessa trama, um famoso ilusionista cego e sua maravilhosa e sexy assistente nos confundem, atrapalham a busca, desnorteiam; enquanto certo  misterioso “Entregador” e sua inseparável amiga “Ka-Bar” ajudam o sinistro “Próspero” a executar suas loucuras.

Excentricidade, ilusionismo, assassinatos: Ponto Cego, o segundo romance policial de Felipe Colbert.

Intrigante.

Mas cuidado: enquanto Daniel Sachs pode escolher se deixa seu corpo ser controlado para salvar sua amada, quem decide ler Ponto Cego não tem alternativa, será imediatamente hipnotizado, terá a respiração acelerada e somente largará seu exemplar  depois da última frase, ao descobrir que a verdade era ilusão e que a ilusão era verdade; o que vemos nem sempre é o que é.

Felipe Colbert. Ponto Cego. São Paulo: Novo Século, 2012.

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