Jardim de Haijin

Haicai: Miniatura poética

Haijin: poeta minimalista, haicaísta

Alice Ruiz: observadora do mundo; criadora de jardim

Jardim de Haijin, de Alice Ruiz é uma bela coleção de Haikais*. Os versos, linhas de observação do mundo, nos levam para um passeio em jardim de cores, formas, cheiros e sabores.

Alice Ruiz é poeta, Haijin e tradutora. Suas palavras já foram gravadas por diversas vozes: Arnaldo Antunes, Alzira Espíndola, Ceumar e Itamar Assumpção são alguns de seus parceiros. Alice nasceu em Curitiba, no ano de 1946. Aos 16 anos já escrevia poesia e aos 22 casou-se com Paulo Leminski, incentivador da publicação de seus textos e pai de seus três filhos.

Leitura leve, doce, Jardim de Haijin é livro para ser degustado verso a verso, em seu tempo. É livro para se inspirar, é para expirar, é para respirar a poesia.

De haijin para Haijin. Alguns de meus versos. Para Alice Ruiz.

noite enluarada

leio antes de dormir

jardim de haijin

leio esse livro

haikais de Ruiz

folhas de haijin

rabisco um verso

atrevida, sou haijin

no jardim de Ruiz

 

*Na onda oriental que chega ao Ocidente recebemos yoga, artes marciais, massagens diversas, acupuntura, tai-chi, budismo…

Na literatura, a onda causa a “miniaturização e síntese poética (E. E. Cummings, Pound, Wiliam Carlos Wiliams, Oswald, poesia concreta)” (LEMINSKI, 2011) influenciadas por Haicais, Wakas, Tankas.

No Brasil, os primeiros Haicais foram de autoria do modernista Guilherme de Almeida. Oswald de Andrade pegou carona na onda e escreveu seus “poemas-minutos” enquanto o mineiro Carlos Drummond de Andrade escreveu: “Stop. A vida parou. Ou foi o automóvel?”

Trinta anos após os modernistas acolherem a onda minimalista, Millôr Fernandes popularizou o Haicai entre os brasileiros, e os poemas concretos nos apresentaram a versos breves, sintéticos e antidiscursivos. Os poetas conhecidos como “marginais” da década de 70 também seguiram nessa onda de miniaturas.

Haicai, Haikai, ou Haiku são possíveis nomes à poesia japonesa composta por três versos. Há os mais tradicionais que acreditam na importância do kigo na poesia, ou seja, uma palavra que tenha relação com uma das estações do ano. Outros escritores prezam pela forma, ou regra das 17 sílabas (primeiro e terceiro versos com cinco sílabas poéticas e o segundo com sete). Há também os defensores de que o Haicai deve, sobretudo, ser conciso, condensado, seguir a intuição e a emoção do Haijin (ou haicaísta).

RUIZ S, Alice. Jardim de Haijin. São Paulo: Iluminuras. 2010.

LEMINSKI, Paulo. Ensaios e anseios crípticos. Campinas: Editora da Unicamp. 2011. p. 325-328.

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