Do que você abre mão em favor daqueles que têm muito menos que você?

Até que ponto você é capaz de se doar?

Você às vezes se vê fugindo daquilo que pode um dia te matar?

Quantas vezes você já se sentiu egoísta? Ou será que nem se sente assim?

Você é capaz de olhar e ver a realidade do mundo?

Qual é o seu limite?

Histórias pungentes contadas por escritores brilhantes.

Purple Hibiscus, por Chimamanda Ngozi Adichie

Pequena Abelha, por Chris Cleave



A realidade nigeriana

A Nigéria tem sido palco para conflitos armados, sobretudo, lutas pelo controle da exploração de petróleo. Como resultado, muitas pessoas tentam fugir do país buscando asilo em países da Europa. A Inglaterra é destino para muitos refugiados que, nem sempre, conseguem permanência legal.

O país é pobre. As pessoas são miseráveis. As condições em que vivem os cidadãos são muitas vezes bastante precárias, dar descarga após usar o banheiro chega a ser luxo. Menos de 50% da população nigeriana tem acesso a uma fonte improvisada de água, isto é, torneiras ou poços, não necessariamente localizados em seu lar. A média de pessoas por residência é de 5 a 5.9.

A violência na Nigéria não é apenas devido aos conflitos aramados, mas está bastante presente nos lares dos nigerianos. 66% das mulheres adultas afirmaram ter vivido assédio, mais especificamente violência física, por um parceiro ou pessoa íntima do sexo masculino. A sociedade acredita no poder do homem que tem as rédeas das finanças e da moral familiar. O Estado dá poderes de proprietário da mulher ao homem. Ela tem seu direito de ir e vir restrito; a mulher somente pode viajar, ou obter passaporte com a autorização do marido ou parente do sexo masculino. Além disso, as mulheres não podem ser herdeiras, proprietárias, ou controlar terras.

Há muitos homens nigerianos com mais de uma esposa. Até o ano 2000, as estatísticas diziam que entre 30% e 39% das mulheres casadas não eram a única esposa do marido, a poligamia é prática comum. A idade média das garotas em seu primeiro casamento é de 11 anos no estado de Kebbi; no país, em geral, as garotas se casam entre 20.1 e 23 anos. Quanto à prole, as mulheres nigerianas têm em média de 4.1 a 6 filhos, muitas vezes em partos não atendidos por médicos ou parteiras – de 50% a 74% –  e a taxa de mortalidade da parturiente é alta: de cada 100.000 partos com sucesso, aproximadamente 1000 deles resultam na morte da mãe. Entre 1980 e 2000 as mulheres começaram a pensar que ter menos filhos era o ideal. Segundo elas mesmas, o número ideal diminuiu de 8.3 para 6.7. E para o controle de natalidade, os métodos contraceptivos mais utilizados são os tradicionais, ou seja, contraceptivo oral, DIU, injeções e esterilização. No entanto, somente 10%, ou menos, utilizam qualquer método. O aborto é ilegal e permitido apenas nos casos em que a vida da mulher está em risco.

O isolamento de mulheres, flagelação e pena de morte por apedrejamento ainda são praticados na Nigéria como punição.

Menos de 75% das garotas que frequentam escola primária completam seus estudos. De 20 a 30% das mulheres frequentam a universidade. A taxa de analfabetismo entre elas está entre 26 e 50%.

Infelizmente, pouquíssimas delas irão ler este post; de cada mil mulheres, menos de 100 têm acesso à internet.

“Significant numbers of the world’s population are routinely subject to torture, starvation, terrorism, humiliation, mutilation and even murder simply because they are female. Crimes such as these against any other group would be recognized as a civil and political emergency.” Charlotte Bunch and Roxanna Carrillo

[Um número significativo de pessoas é submetido, de forma rotineira, a tortura, fome, terrorismo, humilhação, mutilação e até mesmo assassinato simplesmente por serem mulheres. Tais crimes, se fossem contra outro grupo da sociedade, seriam reconhecidos como emergência civil e política.]

Pelo menos uma em cada três mulheres no mundo já foi espancada, estuprada, ou de algum outra forma assediada por um membro da família. Para a maioria dessas mulheres o assédio se dá repetidas vezes, durante meses ou anos e, infelizmente, para um grande número delas o sofrimento termina com sua morte. Normalmente o assassinato da mulher ocorre quando ela tenta sair dessa relação violenta.

Bibliografia:

Seager, Joni. The Peguin Atlas of Women in the World. New York: Penguin Books. 4th edition, 2009.

Assita a este vídeo de Chimamanda Adichie: The danger of a single story.

Chris Cleave fala de seu romance Pequena Abelha:


 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s