Carta ao editor – Sobre: A verdade tem olhos verdes

Prezado Editor,

Venho por meio desta informar que semelhante relato escrevi. No entanto, já não sei dizer se “A verdade tem olhos verdes”, livro por você editado, é aquilo que redigi. Cada palavra, cada frase, cada capítulo da obra fez-me recordar momentos vividos em um passado remoto. Mas já não tenho certeza por onde andei, tantos caminhos foram na tentativa de livrar-me de verdades que não criei.

Para mim tornou-se difícil discernir a verdade da mentira. No entanto, eu juro que nunca matei! O helicóptero, o dinheiro, as mulheres, o poder. Eu sei. Tudo isso fez parte de minha vida. E eu repito: não matei! Eu queria o poder, mas nunca abri mão do amor. As palavras…  Ah! As palavras. Quem as garante? Não é mesmo? Talvez agora os senhores possam dar mais força à verdade de meu relato.

Não quero rendimentos, os créditos dessa publicação deixo para o Sr. Luís Giffoni, brilhante escritor. O que quero é a ajuda dos leitores. Por favor, digam que acreditam em minha verdade, mas não me peçam provas, não sei se as tenho, pois “a verdade última é inatingível. Esconde-se nos meandros da mente, nos labirintos das interpretações, nas apologias das certezas, nos oráculos das lógicas, nos enganos dos sentidos.” Talvez eu prefira seguir iludido pelos altos e baixos no dorso da fantasia que cavalgo.

Aliás, será que cavalgo a fantasia, ou o que vivo agora é a realidade?

Não sei.

Um abraço sincero,

T.

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