Quando o popular presidente brasileiro, um jovem, bem-apessoado esportista, confiscou “todos os depósitos, inclusive poupança, acima de 50 mil cruzeiros”, e os paraísos fiscais eram o Éden das agências de publicidade, dos veículos de comunicação e dos políticos que depositavam dinheiro não declarado de campanhas eleitorais, ou de ricas propinas.

Quando políticos da direita ainda estavam no topo e certo político construía túneis e viadutos no estilo “rouba, mas faz”.

Quando o Monza e o Kadet Hatch ainda eram carros novos, mas as pessoas não compravam porque o país vivia em recessão e ninguém tinha dinheiro para nada.

Uma organização em Santiago planejou um sequestro.

Mas a felicidade, ainda assim, era fácil.

Os políticos da direita começavam a cair, a Alemanha Ocidental e a Alemanha Oriental se uniram, a Guerra Fria chegou ao fim. E para um menino, “bastava uma folha de papel e uma caixa de lápis de cor.

” Para um bandido, viver em Miami, com um Mustang, ou um Camaro, na garagem, mas também poderia ser em Coral Gables, ou Fort Lauderdale. Para certa mulher, bastava ter paz e tranquilidade em uma bela casa, viagens internacionais, as roupas e os sapatos cobiçados, ou ainda, um filho inteligente, alegre, curioso, saudável.

Ana Libânio com Edney Silvestre na Bienal do Livro de MG

É esse o contexto em que, Edney Silvestre narra a história de Olavo, para quem amar era um verbo que somente fazia sentido nas storyboards de campanhas publicitárias; de sua esposa Mara, uma ex-acompanhante de executivos que já precisou usar roupas que não mais serviam na filha da patroa da mãe; e do filho desses dois milionários. Histórias tecidas em uma trama que envolve corrupção, cinismo, violência e mais personagens. Corruptos da alta cúpula da política brasileira, bandidos internacionais, um motorista e sua filha, uma empregada doméstica e seu filho, todos eles estão amarrados, de uma forma ou de outra, em uma mesma história, cada um está em busca de sua felicidade.

A Felicidade é Fácil é um texto rápido, com descrições precisas e cenas marcantes. O autor consegue recriar o contexto histórico dos anos 90 ao narrar as 24 horas que sucedem a cena de um sequestro. É um romance político e policial em que Edney Silvestre faz o leitor mergulhar na história dos desejos, das frustrações e das sujeiras de cada personagem.

Mas ainda que angustiado, o leitor guardará esperança, e ao terminar a última linha, respirará aliviado. A felicidade é fácil, porque no final sempre pode haver uma virada. A história pode te surpreender.

Edney Silvestre. A Felicidade é Fácil. 2011. Ed. Record.

Trilha sonora:

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