foto retirada do blog mythicalmonkey.blogspot.com
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De todas as opções que Fritz Lang tinha, ele escolheu ser cineasta e poderia ter se contentado com isso. Mas não, foi também roteirista, produtor e ator. De todos os estilos que ele poderia seguir para escrever, produzir e dirigir, Fritz Lang escolheu ser expressionista e precursor do film noir.

Lang nasceu em Viena, seu pai era arquiteto e sua mãe dona de casa e judia. Mas ela escolheu se converter ao catolicismo. Ele não se interessou pela religião original da mãe, foi católico e no final escolheu ser ateu.

Ainda em Viena, Fritz Lang frequentou curso técnico para ser engenheiro civil e seguir o pai na profissão. Mas acabou por escolher viajar pela Europa, África, Ásia e estudar pintura, em Paris.

Quando a primeira guerra mundial estourou, Lang voltou a Viena, entrou para o exército Austríaco e lutou na Rússia e na Romênia. Acabou ferido e tornou-se escritor em uma produtora em Berlim.

Fritz Lang se naturalizou norte-americano, em 1939, três anos depois de ter se mudado para aquele país. Morreu aos oitenta e cinco anos de idade e foi enterrado no cemitério de Hollywood.

De todos os nomes que eu poderia ter escolhido, optei por Jacira. Ela é mãe de meu vizinho que se chama Fritz Lang. Mas ele não escolheu ser cineasta. Não quis ser roteirista, produtor, nem mesmo ator. Fritz é vendedor de pastel. Poderia vender enciclopédia, vassoura, ou produto de limpeza, mas escolheu fritar pastel na feira e ser o precursor do pastel Ling Frit’s, um delicioso salgado recheado de linguiça. Vegetariana.

Fritz nasceu no Sul, seu pai era caminhoneiro e sua mãe, Jacira, dona de casa de repouso. Ela era evangélica, mas escolheu abandonar a religião. Fritz Lang que não seguia crenças, mais tarde aderiu ao candomblé.

Ainda em uma pequena cidade do Sul, aprendeu a jogar futebol. No entanto, escolheu viajar com o pai e estudar. Desenvolveu seu bê-á-bá, decorou a tabuada, conheceu as mulheres.

Quando o plano Collor estourou, Fritz voltou para o Sul e lutou para sobreviver. Ficou sem dinheiro e foi parar em Minas. Tentou ser pai de santo, mas preferiu ser mineiro pai de duas garotas.

Às quatro horas da tarde, todos os dias, Fritz Lang come queijo e toma café, sem açúcar. Ele tem quarenta e cinco anos.

Fritz escolheu acolher a mãe. Ela agora repousa, viúva, na cadeira de balanço que poderia estar no quarto, mas vai e vem na varanda.

De todos os nomes que eu poderia ter tido, Fritz jamais foi opção. Jamais pensei em ser engenheira, ou fritar pastel. Mas escolhi escrever histórias, que, aliás, sempre podem ser verdadeiras ou fictícias.

Eu poderia ter falado de Lars Von Trier, Woody Allen, ou Alfred Hitchcock. Ou ainda, poderia ter escolhido descrever como crescem os animais que vivem em cativeiro nos zoológicos da America Latina.

Poderia ter escolhido contar nenhuma história.

E você, adorável leitor, ou leitora, optou por ler minhas palavras.

Mas e se não tivesse lido?

E se eu não tivesse escrito?

E se Fritz não fritasse pastéis?

E se Lang não escrevesse roteiros?

E se Jacira realmente for uma mulher sentada em sua cadeira de balanço? Mas e se não for?

E se…

Esta crônica foi publicada na revista Rio Total.

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