Nestes tempos modernos, coisa fácil é utilizar a tecnologia a favor da procrastinação. Do latim, prōcrāstinātĭō -ōnis, a palavra deriva do verbo procrastinar que significa ‘adiar’ e surgiu no século XVII, conforme o Dicionário Etimológico Nova Fronteira.

Sentei-me à mesa do escritório, abri um novo documento do processador de texto e, o cursos começou a piscar. E piscava. Piscava. Enquanto diante de mim, um smartphone equipado com aplicativos parecia também piscar. Para mim.

Toca aqui, toca acolá, e voilà: abri o programa de fotos. Mirei uma lâmpada velha, laranja. “Linda cor”, pensei. Através daquele vidro colorido, como se aquilo fosse lupa, observei uma foto preto e branco. Ótima ideia.

Três elementos, uma brincadeira, tempo perdido.

Ou teria sido, o tempo, aproveitado de outra forma?

Na realidade, para procrastinar não é necessário tecnologia. Abre-se o dicionário, procura-se uma palavra, encontra-se aproximadamente vinte outros verbetes, dos quais dez remetem a outros que, por sua vez, indicam mais alguns e assim o tempo passa. Voa.

Perdido? Ou encontrado em palavras outrora desconhecidas?

Ocorre que para um grande número de pessoas, esse hábito é comum (não sei das estatísticas, mas vou deixar para pesquisar depois). Em alguns casos, segundo psicólogos que no momento não sei citar, a questão é muito mais que uma simples preguiça. Aparentemente, uma pessoa que sofre de depressão, ou TDAH é bastante propensa à procrastinação. Calma! Não vá se diagnosticar. O hábito de adiar as coisas pode simplesmente ser um reflexo de seu perfeccionismo, aquela tendência que você tem de pensar que nada é tão bom que possa ser pronunciado pronto. Ou ainda, se você é um procrastinador, talvez isso tenha relação com seu “workaholismo”. Mas vamos deixar para explicar isso depois?

Descobri a importância do termo procrastinação em meus primeiros dias de aula na universidade de Ohio, há seis anos. Pediram-me que fosse ao centro de saúde para testes; queriam verificar minha imunização contra tuberculose. Não adiei a tarefa. De pronto compareci à clínica. Na sala de espera, tive tempo apenas para ler as capas dos folhetos dispostos em uma espécie de grade pendurada na parede. Todos tratavam de questões vividas por alunos: suicídio, sexualidade, tabagismo, alcoolismo e procrastinação. “Interessante” — refleti — “a questão é mesmo séria”. Havia até mesmo grupo de apoio ao procrastinador. Foi então que descobri: A academia é o ambiente onde o hábito de adiar tarefas obrigatórias é mais recorrente.

Fiz questão de não procrastinar. E até mesmo diante do questionamento da diretora que duvidou que eu terminaria minha dissertação no tempo previsto — aparentemente devido à má fama do brasileiro (seria culpa de Macunaíma? Ai que preguiça!) — fui em frente. Defendi. Não adiei.

Fui contra a “síndrome do estudante”. Dizem que muitos sofrem disso. Eles deixam as tarefas para o último dia, correm, dormem na biblioteca, ou não dormem, tomam café madrugada adentro e fazem tudo numa correria tamanha que, ao final, estão tomados por ansiedade e estresse. Tudo isso quando o que precisavam fazer era largar o smartphone, o dicionário, ou as fofocas de lado.

Qual tipo de procrastinador você é? O “relaxado” é aquele que simplesmente não troca prazer por obrigação, mas que, no final das contas, apenas finge não estar preocupado com o prazo — no fundo o estômago está remoído. Já o “tenso-nervoso” é aquele que sente a pressão do prazo e se convence de que é melhor relaxar, faz lista para não esquecer o que deve ser feito. Faz lista. Faz lista. E faz lista. No limite do prazo, já não faz lista, estressa.

A questão é a seguinte: Faça acontecer.

Não deixe para amanhã o que pode ser feito hoje.

Encare de frente.

Mate um leão por dia e não deixe para matar todos num dia só.

Agora vá! Agarre o touro pelo chifre. Encare sua tarefa. Sentar, lamentar e dizer que você merece, às vezes, ter preguiça, apesar de você desejar muito, não realizará seu trabalho.

A propósito, isto aqui não foi procrastinação. Você e eu merecíamos esse tempo para relaxar.

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