Idiossincrasias de quem escreve

Computador, máquina de escrever, caneta. O que esperamos ser a ferramenta de um escritor do mundo moderno? Deixe isso para lá. Hábitos, ou manias particulares de nossos ídolos literários são mais interessantes.

Segundo boatos, Alexandre Dumas, o pai de “O conde de Monte Cristo” e de “Os três mosqueteiros”, não parava de escrever até que o texto estivesse acabado. Ele não gostava de ser interrompido, por isso simplesmente ficava nu e entregava suas roupas ao empregado.

Alguns escritores são conhecidos por trabalharem sob a influência de alguma substância. Drogas, álcool, ou ervas eram combustíveis para certas mentes criativas. Balzac, no entanto, ingeria nada disso. Seu exagero era o café.

Insetos poderiam causar problemas na hora da escrita. Especialmente para Truman Capote, que, antes de mergulhar no trabalho, certificava-se da total ausência dessas criaturas. O que, aparentemente, não era problema para o grande poeta Pablo Neruda. Dizem que ele escrevia em qualquer circunstância, local, posição; desde que houvesse tinta verde a sua disposição.

Sentar-se para escrever? Não é necessário. Acredita-se que “Os miseráveis” e “Mrs. Dalloway” sejam parceiros na literatura “stand-up”, já que tanto Victor Hugo quanto Virginia Woolf não eram grande admiradores das cadeiras enquanto trabalhavam. Eles preferiam ficar em pé. A mesma preferência tinha o poeta português Fernando Pessoa. Nietzsche talvez concordasse com eles, já que afirmou ser a vida sedentária o grande pecado contra o Espírito Santo. Dizia também que somente os pensamentos obtidos durante uma caminhada tinham valor. (www.cabinetmagazine.org)

À noite, de manhã, vestidos, ou nus, o fato é que a maioria dos autores desenvolveram diferentes manias. Não tenho certeza se as minhas são tão peculiares assim. Vamos ver— não sou de falar de minhas próprias idiossincrasias; esta é apenas a segunda vez. Uma versão em inglês foi publicada no site britânico Brit Writers and Writers Everywhere.

Quanto ao horário, como lido com muita coisa além da escrita, qualquer hora é hora. Desde que eu tenha uma ideia, o que significa que meu caderno de anotações é meu mais fiel companheiro. Afinal, nunca se sabe quando ideias chegarão.

Quando estou em meu escritório, começo por verificar emails, a conta e a página no Facebook e respondo às mensagens. O segundo passo é escolher uma música — certamente a desligarei porque irá incomodar — então começo a digitar.

Água é imprescindível. Aliás, líquidos são necessários. Se é de manhã, café, suco, ou chá são bastante apreciados. À noite, bourbon, whisky, ou vinho são os favoritos — não todos de uma vez. Parte do ritual é escolher a dose que, no máximo, se repetirá uma vez.

Depois do primeiro rascunho, o texto precisa descansar. Este, por exemplo, não será enviado logo após ficar pronto. Isso significa que, se eu tiver um prazo, começo a trabalhar com tempo suficiente para que eu possa oferecer ao escrito seu merecido repouso. Como se colocasse o trabalho em uma gaveta, só que virtual, depois de ele ter que lidar comigo por longos minutos, algumas vezes horas, ou dias. Eles também precisam de uma pausa. O mesmo ocorre com as traduções.

De volta à questão do horário. Amo a noite. Quando o céu escurece, a cidade se acalma. Ouço um trem, alguns carros, cães a latir. Mas não há música alta do vizinho, ninguém vai ligar, nem fazer visita surpresa. Se há algo como uma aura, ou talvez uma deusa da literatura, estou quase certa de que se manifestam à noite. Não me pergunte porquê!

Finalmente, caso você tenha curiosidade, é hora de saber: escrevo completamente vestida. Não. Na verdade, viver em um país tropical me faz vestir roupas confortáveis de forma que ainda esteja decente para o caso de alguém bater à porta. Certo! Não à noite.

É senso comum o fato de que escrever é uma atividade solitária. Não que sejamos pessoas sozinhas que não queiram interagir — tudo bem, algumas vezes somos. O ponto aqui é: cada indivíduo está só em seu modo de ser, em seu método, em sua idiossincrasia. 

Quais são as suas?

Aqui também, você pode ler a versão em inglês: Idiosyncrasies of a Writer

Este texto foi publicado na Revista Rio Total.

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