É falta permanente:

É Amor.

O amor é um dos grandes mistérios da vida.

Tudo bem, isso não é novidade. Já sabemos e vivemos isso há muitos e muitos séculos; talvez eu nem tenha o que falar sobre ele. É. Não tenho. Não tenho novidades sobre o amor. Mas sei que esse tema, por algum outro mistério da vida, foi recorrente em minhas atividades nos últimos dias.

(Opa! Não pense isso… Ou pense! Pensar em amor é bom.)

O fato é que, tem-se falado de amor. E eu, uma romântica que sou, resolvi encarar essa onda. Difícil tarefa! Mas não quero ser rotulada de “rasteira e leviana”, por isso logo digo: Isto aqui não é um tratado, nem mesmo tem a pretensão de ser um acréscimo à literatura filosófica. Isto é uma crônica.

Quando Arthur Schopenhauer escreveu seu “Metafísica do Amor”, afirmou “não [ter] predecessores nem para [lhe] valer, nem para refutar”; como a mim, o assunto se impôs a ele “de maneira objetiva e entrou por si mesmo no contexto [de sua] concepção de mundo.” Entendo que vivemos sob a égide do amor e sua variante, o ódio.

De tudo que já ouvi acerca desse sentimento, a concepção de Platão e a de Camões me agradam; neles, o amor é na alma, não se baseia nos prazeres da carne. Ou ainda, há uma separação clara entre o Amor (com “a” maiúsculo) e o que chamam de amor (com “a” minúsculo). Este sim tem algo a ver com satisfações imediatas das necessidades sexuais, ou coisa parecida.

Na crista dessa onda, está o amor entre pessoas do mesmo sexo e a pergunta: Será esse sentimento legítimo?

Dentre todas as explicação, apoio-me na história contada em “O Banquete”, obra do filósofo Platão e recontada, ou melhor, cantada em uma de minhas músicas prediletas: “The Origin of Love” (A origem do amor), parte da trilha sonora do filme “Hedwig and the Angry Inch” (2001).

Conta que, quando a Terra ainda era plana, as nuvens eram de fogo e as montanhas subiam aos céus, por vezes até mais altas que o céu, os seres rolavam soltos por aí como barris que tinha dois pares de pernas, dois pares de braços e um par de rostos em uma só cabeça. Eles podiam ver tudo ao redor, mas sabiam nada a respeito do amor. Isso foi antes de o amor surgir.

Existiam três sexos: um formado por dois homens grudados pelas costas, era o filho do sol; outro, nas mesmas proporções e formas, era a filha da terra, composta por duas garotas misturadas em uma só; o terceiro deles era como um garfo enfiado em uma colher, era parte homem, parte mulher, o sol e a terra, era uma criança da lua.

Os deuses ficaram bastante assustados com a força e resistência dos seres. Thor então resolveu matar todos com seu martelo. Mas Zeus sugeriu usar seus raios como tesouras, como fizera ao cortar as pernas das baleias e ao transformar dinossauros em lagartos. Foi então que, ao segurar um raio, deu uma risada e avisou: “Vou dividi-los ao meio, vou cortá-los.”

Nesse momento, tempestade se fez, fogo caiu do céu em raios como lâminas a cortar a carne dos filhos do sol, da lua e da terra.

Certo deus indígena costurou a ferida e nos deixou uma marca na barriga para nos lembrar do preço que devemos pagar.

Osiris e outros deuses criaram uma tempestade que afastou os seres uns dos outros com ventania e enxurrada e a promessa de cortá-los ainda mais, caso não fossem obedientes.

A última vez que você viu a sua outra parte, vocês já estavam separados e não se reconheceram, apenas se sentiram, de alguma forma, familiares. No entanto, você pôde sentir que a dor na alma de sua outra parte era a mesma dor que você sentia. Essa dor cortou-lhe direto ao coração. Era a dor que hoje chamamos amor.

Então, vocês se abraçaram, tentaram se colocar juntos novamente: fizeram amor.

E essa é a história de como nos tornamos seres solitários a procura de Amor, uns procuram sua parte terra, outros a parte lua e alguns, a metade sol. Por isso, em Platão, o amor está na falta, no desejo de ter a parte que lhe foi arrancada, de ter algo de que se necessita; é, portanto, a relação entre quem ama e quem é amado. Ademais, é um dos maiores bens do ser humano, junto com sabedoria e inteligência.

Assim, aqueles seres que surgiram de um corte andrógino, ou das crianças da lua, são heterossexuais, já os que se originaram do corte da filha da terra, ou do filho do sol, são homossexuais.

Dedico esta crônica a todos que vivem e aprovam a busca da verdadeira experiência de realizar o Amor.

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