Na última segunda-feira, nos sites de notícia, ela reapareceu; era manchete, notícia compartilhada, vídeo comentado. E tudo isso porque, em um evento público, falou de seu estado civil e de sua sexualidade.

Nos sites militantes lá está a questão, seja na voz do papa que condena o casamento entre pessoas do mesmo sexo, seja na organização de alguns franceses também contra o matrimônio homoafetivo, ou na insistência do presidente deste mesmo país em discutir a favor do casamento a despeito da sexualidade das partes.

A televisão, vez ou outra, mostra um beijo entre pessoas do mesmo sexo, retrata a sexualidade em seus personagens e promove debates.

O que foi até recentemente um grande tabu habita, aos poucos, as residências, as salas de aula, os sites de relacionamento. E foi em um destes que vi, há poucos dias, comentário bastante pertinente de um amigo escritor, por acaso heterossexual, a favor da felicidade das pessoas. Ele se indignou: já que encontrou seu par, porque outras pessoas não podem ter a mesma sorte? Mais importante, porque ele deveria ser contra o direito das pessoas de serem felizes? Ainda segundo o amigo, “gente feliz não se preocupa com a vida dos outros”.

Companheiro, você não poderia estar mais certo. Então é isto: na sociedade, faltam pessoas felizes e satisfeitas com a vida que levam. Porque sexualidade já não é mais “bicho de sete cabeças”.

Hoje já podemos entender bem essa história, os meios de comunicação nos mostram: a realidade é bem mais abrangente, vai muito além de nosso quintal. A natureza mesma se encarregou de criar as diferenças. Quem somos nós para questioná-las.

Gênero é diversidade. Injusto é resumir os indivíduos em feminino e masculino, ou homem e mulher. Facciosa opinião é aquela que parte de um só ponto de vista para estreitar as possibilidade de vivências. Não se pode olhar a humanidade com visão estritamente heterossexual.

Sexualidade é identidade, é essência. É a característica própria de uma pessoa, e como tal, deve ser respeitada. Toda pessoa merece ser feliz, amar e se ver como ser social, ninguém deve perder direitos, oportunidades e muito menos a vida por ter essa ou aquela orientação sexual.

Tanto os heterossexuais, quanto os homossexuais vão ao supermercado, compram carros, pagam impostos, são assaltados, arrumam empregos, são demitidos, ganham na loteria, arrumam namorados, separam-se. Ou seja, independente de sexualidade, quer dizer, de identidade, somos todos cidadãos.

Diversidade de gêneros já não é mais tabu, é simples realidade. E que tal aceitarmos o que a natureza mesma criou?

*Esta crônica foi publicada na revista Rio Total.

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