Como você se protege do DST, ou BRST?

As opiniões são diversas:

“Nem me fale nisso.”

“É lamentável que tenhamos que passar por essas coisas”.

“Não tô nem aí!”

“Deitar cedo e levantar cedo torna um homem saudável, rico e sábio.”1

“O importante não é o relógio: são as horas.”2

Em 1784, Benjamin Franklin propôs que os parisienses acordassem mais cedo para economizar vela. Mais tarde, John Vernon Hudson, em 1895, propôs que se fizesse economia de duas horas no dia. No século seguinte, em 1905, William Willett pensou que o povo precisava do tal DST; os londrinos dormiam demais no verão. Além disso, como um ávido jogador de golfe, Willett não queria que as partidas fossem curtas por falta de luz e deu a esse problema solução elementar: adiantar o relógio em uma hora. Mas parece que ele morreu fazendo isso sozinho. Somente em 1916 a medida foi aceita como algo vantajoso. A Alemanha e seus aliados, durante a primeira guerra mundial, adiantaram seus relógios para economizar carvão já que viviam a recessão que, normalmente, abate países em guerra.

Desde o início, essa prática de adiantar o relógio para depois de alguns meses atrasá-lo é controversa. Aqui no meu escritório, no dia 22 de outubro, primeiro dia útil depois do início do nosso horário brasileiro de verão, houve unanimidade: “difícil acordar”. 100% concordou que o corpo estranha; os músculos parecem perder um pouco de força; a mente tem dificuldade para se concentrar. Ainda assim, também 100% dos entrevistados3 concordaram: depois de uma semana, acostumamo-nos ao ritmo e o horário passa a nos favorecer com dias mais longos. E a conta de energia diminui um pouco.

O fato é que, entre economia de velas, de carvão e de tempo, o horário de verão é mais antigo que nossas reclamações.

Nos Estados Unidos, desde 1918, a população adianta o relógio uma hora quando a primavera está por chegar e atrasa em uma hora quando o outono se inicia. Para eles, é o DST (Daylight Saving Time), que começa às duas horas da madrugada. Para nós, no Brasil, o horário de verão, ou BRST (Brazilian Summer Time) começa à meia-noite do terceiro domingo de outubro e termina no terceiro domingo de fevereiro, também à meia-noite, mas isso se não houver carnaval naquela semana, do contrário o atraso nos relógios é adiado. Essa prática foi adotada pelos brasileiros, pela primeira vez, em 1931 e não foi tão regular até 1985, quando passou a ser adotada anualmente pelas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.

Além da economia de energia, o horário de verão é garantia de assunto. Seja no jornal, nas revistas eletrônicas, ou até mesmo nas rodas entre amigos, há sempre alguém a publicar algo sobre o tema, ou a chorar as pitangas quando o relógio é adiantado em uma hora. Campeã de audiência é a eterna pergunta: Como podemos sobreviver a este tal BRST? Cada um com suas práticas. Eu, por exemplo, no início sigo o tempo cronológico, esqueço o biológico e, depois de uma semana, já estou imune; em sete dias, a biologia volta a reinar em minha vida.

Mas, como disse, cada um com suas práticas. Se você pesquisar na Internet verá que em inúmeros sites pessoas debatem essa questão. Dicas como “dormir no mesmo horário em que se dormia antes de adiantar o relógio”, ou “não dirigir quando se sente sonolento e irritado” (sensação comum aos que não são exatamente a favor da prática), parecem-me óbvias. Mais interessante ainda é a ideia de adiantar seu relógio antes que todos adiantem os seus. Mas nesse caso, atenção ao marcar compromissos. Ah! Para dar certo, você terá que fazer isso 4 dias antes da data oficial. Dessa forma, quando todos seus amigos sofrerem a alteração do horário, você, que foi adiantado, já estará imune — ou apenas sofreu antecipadamente. Mas já que é para adiantar, quem sabe antecipar o sofrimento adianta?

Não sei.

O que me ocorre é: Seja qual for o nome, DST, BRST, horário brasileiro de verão, isso não é doença, é passageiro e tem coisa muito pior na vida.

Talvez esse pensamento seja minha proteção.

Em tempo: Para aqueles que detestam adiantar os relógios, há esperança. Alguns deputados tentam passar um projeto de lei para abolir o horário de verão. Segundo eles, a economia de energia não é maior que os prejuízos à saúde e à segurança pública.

  1. Benjamim Franklin
  2. Millôr Fernandes
  3. Número de entrevistados: 1. Entrevistado: A. L. L. Responsável pela entrevista: Ana Luiza Libânio.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s