Dezessete dias por ano no trânsito. Essa é a conta do prejuízo dos paulistanos. Nessa era em que tempo é tesouro, quanto mais se economiza, melhor. É curioso: não se negocia, não se vende, muito menos se troca tempo. O importante mesmo é saber usar.

O que fazer nesses dezessete dias por ano? Aqui em BH, faço minhas contas: graças às forças que movem o universo e à minha organização, não desperdiço tempo no trânsito todos os dias, mas por semana o somatório chega a dez horas, o que faz com que, por mês, eu fique no trânsito por quarenta horas. Por ano, descontados os meses de férias, permaneço, em média, dentro de meu carro vermelho 360 horas, o que equivale a 15 dias. Estou bem próxima dos paulistanos — e um pouco deprimida com essa conta.

Mas, relaxemos e gozemos, não é assim?

Nesse meu vai e vem, sobra-me tempo — a falta de tempo me dá tempo — para pensar. E por curiosidade, comecei a notar que a maioria dos carros que enchem nossas ruas tem nome composto por cinco letras. Observe: Fusca, Dodge, Opala, Palio, Mille, Corsa, Celta, Civic (esse é palíndromo também), Ágile, Acura, Chevy, Buick, Volvo, Lexus, Mazda, Smart, Honda, Lotus, Astra (também lâminas de barbear da Gillete). Lembra-se do Chicletes Adams? Pertence agora a Kraft Foods.

Enquanto divagava no trânsito, concluí: várias marcas são batizadas com apenas cinco letras. Já observou o nome Xerox? Que tal Skype? Há também Intel, Pepsi, Alcoa, Kodak, Shell, Apple.

A ideia de desenvolver uma marca é a de marcar o consumidor. Ou seja, você cria algo e espera que eu consuma o seu produto e não o do outro. Como você faz isso? Em primeiro lugar, cria um nome que marcará seu espaço em meu léxico. Ocorre que, aparentemente, nosso cérebro memoriza melhor grupos de cinco letras. Exemplo disso são cifras utilizadas para envio de mensagens secretas, ou mensagens enviadas por telégrafo; a preferência era por blocos de cinco letras.

Obviamente, escolher nomes não é tarefa simples. Que digam isso as grávidas, os empreendedores, donas de bonecas, ou… Enfim, qualquer um que deseja marcar presença. Aliás, é tão difícil que as montadoras lançam mão de banco de nomes (já registrados por elas), departamento de marketing, pesquisa de campo e ainda, algumas vezes, falham e o nome não pega. Outras vezes, resolvem ressuscitar o automóvel antigo. Voyage é um exemplo.

Mas se você está com muita dificuldade, há como pedir ajuda. Empresas de branding fazem o trabalho para você. Inclusive, elas já têm um banco de nomes patenteados. Negocie aquele que mais te marcar.

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