Finalmente:

Dezembro.

Ele é implacável. De onze em onze meses, religiosamente, o danado chega. Nem mais rápido, nem mais lento, são 8016 horas até que ele dê o ar da graça novamente — a não ser em ano bissexto; e isso se minha matemática estiver correta.

Mas ele não vem sozinho. O danado do mês traz consigo uma sequência de fins: É o fim da seca, ou da poeira, das sinusites e do marrom na plantação. É o fim do ano escolar e do tempo de recuperar notas perdidas. No mês doze termina o campeonato de futebol, o espírito esportivo dos que não foram campeões, o patrocínio e os contratos.

O duodécimo mês no calendário gregoriano traz em si o fim do próprio ano.

No entanto, se invertermos o ponto de vista, esse mês, em que o sol atinge o ponto mais ao sul em sua trajetória, traz em sua bagagem uma série de começos. Dezembro inaugura o verão, no hemisfério sul e o inverno, no norte. É o começo das férias, do descanso, do tempo livre para dormir.

Em dezembro começam as enxurradas. Chuvas caem, caem e caem. Com elas despencam morros, casebres, e o ânimo daqueles que precisam enfrentar o trânsito das seis horas da tarde. Mas as frutas tomam cores fortes, ficam suculentas, mais saborosas — ah! os festivais de jabuticaba e seus licores, geleias e sorvetes!

O último mês do ano já foi décimo. Isso no calendário lunar implantado pelo fundador de Roma, Rômulo, em 753 a.C., daí o nome dezembro — em latim, decem é dez.

Excepcionalmente, neste ano, o mês do aniversário de Dilma Rousseff, Jim Morrison, Ludwig van Beethoven, Jane Austen, Olavo Bilac e de minha mãe resolveu carregar uma sina:

É o fim do mundo.

Catástrofes e o clima descontrolado, invasão de animais nas cidades, nevoeiros misteriosos sobre as capitais, aumento no consumo de drogas e descoberta de novas drogas cada vez mais fortes, asteroides que se aproximam, a diminuição da tolerância entre os indivíduos — a lista é interminável, pode ser que o mundo acabe antes de eu a concluir — são argumentos daqueles que acreditam: tudo o que estiver neste lugar chamado Terra, acabará em poucos dias.

Mas esse evento também pode ser um início. Para muitos a teoria é outra. Fim é começo e tudo fica melhor. Será uma nova existência, nova consciência; será a instauração da paz, momento de lucidez do ser humano a se dar conta do grande destruidor que é.

Sobre o apocalipse anunciado, já pedi opinião a muitos que conheço e as respostas são variadas. Alguns acreditam, outros não e vários preferem nem assumir uma posição. Quanto a mim, penso no fim como episódio inevitável e o começo como consequência, ou vice-versa. Nessa roda, cética que sou, fico a esperar para ver; é o que nos resta perante a implacabilidade do ciclo.

Dezembro é isto:

É também começo.

É mais um mês de vida. Isso sim. Encerramento para os que querem acabar e abertura para quem deseja recomeçar.

E então será,

Finalmente:

Dezembro.

Ele é implacável. De onze em onze meses, religiosamente, o danado chega. Nem mais rápido, nem mais lento, são 8016 horas até que ele dê o ar da graça novamente — a não ser em ano bissexto; e isso se minha matemática estiver correta.

Mas ele não vem sozinho. O danado do mês traz consigo uma sequência de fins: É o fim da seca, ou da poeira, das sinusites e do marrom na plantação. É o fim do ano escolar e do tempo de recuperar notas perdidas. No mês doze termina o campeonato de futebol, o espírito esportivo dos que não foram campeões, o patrocínio e os contratos.

O duodécimo mês no calendário gregoriano traz em si o fim do próprio ano.

No entanto, se invertermos o ponto de vista…

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