A vida está ameaçada

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Clarice, assustada com as ações de Trump e com as falas de Bolsonaro.

Em qualquer parte do mundo, a organização em comunidade é estratégia dos seres humanos para sobreviver. É na comunidade que aprendemos sobre amor, comprometimento e união, além de desenvolvermos relacionamentos que ultrapassam a superficialidade da máscara do conformismo — o rosto em conformidade com normas preestabelecidas.

O conceito de que acumular bens materiais — objetos supérfluos, dinheiro engordando contas bancárias e poder de controlar uma população — ameaça a segurança social. A ganância impede o desenvolvimento de uma ética da compaixão, assim, relações de amizade e comunalismo não são possíveis e ações sociais se tornam inviáveis, são até mesmo suspeitas.

Comunidades têm poder. Porque esse conceito não se trata de um indivíduo alimentando seu desejo vão, irracional e megalomaníaco de controlar os demais, mas de comunalismo, aquilo que sustenta o bem de um grupo, uma nação.

Para atingir seu objetivo — realizar o desejo de poder — alguns líderes disseminam ódio, medo e intolerância, sentimentos que dividem. A comunidade nutre amor — caridade, compaixão, desejo de crescimento em comunhão —, único sentimento capaz de criar uma sociedade saudável.

Inimigos não são aqueles que querem se juntar, mas sim quem quer dividir o mundo. É urgente pensar em uma educação voltada para a sociedade. É vital repensar a quem estamos dando poder.

Afinal, o que queremos para nós?

 

Ana Luiza Libânio é feminista visionária, escritora, roteirista e tradutora. Escreveu “A história de Carmen Rodrigues” e “17”.

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