História Libânio-Drummondiana

Screen Shot 2017-08-31 at 08.56.47Como é mesmo que dizem por aí sobre sermos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos? E não sei se alguém já disse isto: nossas palavras, ainda que indeliberadas, geram efeitos que não podemos prever. É mais ou menos assim.

Meu bisavô Ismael Libânio provavelmente não soube prever que sua decisão e fala teriam um eterno efeito na literatura brasileira.

Alguém dirá que é contação de história, mas eu garanto: não é!

Vovô Ismael era pharmacêutico — formou-se na Faculdade Nacional de Medicina e Farmácia, na Praia Vermelha , dono da pharmácia Americana na Rua da Bahia, centro da capital mineira. Certo dia, recebeu um pharmacêutico recém formado pela UMG à procura do primeiro emprego. Ele empregou o rapaz: Carlos Drummond de Andrade. Mas depois de um tempo observando o desempenho daquele sujeito tímido e pouco engajado, bisavô Ismael concluiu que ele não tinha prazer em exercer aquela função e, claramente, não gostava de manipular remédios. Era hora de ter “aquela” conversa. À tarde, pouco antes de encerrar as atividades daquele dia, meu sábio bisavô chamou o frustrado farmacêutico e o aconselhou a desistir daquela função, acrescentando “sua vocação não é para isto”.

Acho que o anjo torto na vida de Carlos foi Ismael Libânio, e naquele dia, na pharmácia Americana ele disse: “vai, Carlos, ser gauche na vida”.

Para meu tio-avô Ismael Gomes Libânio (o filho)

Anúncios